quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O dedo



O dedo movia-se ansioso.
Sabia o caminho.
Seguia a buscar a umidade que lhe faltava.
O dedo. O dedo amava.
O dedo doava-se ao escuro: clamava por acariciar, por atender ao chamado que, sem ouvidos, ouvia.
O dedo cumpria a missão do amar-sem-jeito.
Como um recurso de diálogo aonde não são permitidas as palavras.
Ao dedo, restava entregar-se à sua função rotineira, como as especialidades que todos têm e que não entram nos currículos.
Em que o dedo era bom? Ser dedo.
E assim tornava-se superior ao resto do corpo que habitava.
Corriqueiro, como um bom amigo, o dedo furtava seu caminho entre as cobertas: conhecia tudo.
E orgulhoso de sua segurança, o dedo movia-se como ao vento, leve e brincalhão.
O dedo tocava com um desdenho natural: fora criado para o toque.
E por isso mesmo era especialista: era seu próprio diploma.
E o que não soubesse, curioso, inventava.
E arrastava-se então pela pele úmida: ora lento, ora acelerado, a cochichar suas carícias e a arrancar confissões.
Cheio de alegrias guardadas, o dedo sorria seu sorriso nos lábios que tocava.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Forminhas de gelo

01:00 hr da madrugada me bateu aquela vontade de tomar uma coca-cola bem geladaaaaaa. Peguei meu copo preferido, aquele que cabe bastante coca rs, enchi quase até o fim, só deixei um espacinho pra colocar o gelo.
Abri o congelador e fui retirar os cubinhos de gelo pra ficar ainda mais perfeita aquela coquinha. Mas, pra minha surpresa, as forminhas estavam vazias.
Pior de tudo é que não dava pra ficar brava, afinal de contas a mania de pegar o gelo e nunca encher as formas é de quem? Minha, minha e minha.
Foi aí que me lembrei de todas as vezes que a minha mãe brigou comigo por causa disso, sempre que chegava alguém em casa e ela resolvera servir algo com gelo e tinha que sair correndo nas vizinhas pra ver quem arrumava um pouco de gelo pra ela.
Me peguei rindo sozinha e lembrando de outras coisas idiotas as quais minha mãe sempre brigava comigo. Lembrei de quando ela me pedia pra lavar o banheiro, eu ia lá e lavava o vaso, a pia e o chão e então ela vinha gritando que eu nunca lavava as paredes e me fazia voltar e lavar tudo de novo.
Lembrei também de quando ela queria que ela lavasse a louça do almoço e eu enrolava o dia todo e no fim da tarde ela toda brava, quase bufando de raiva falava pela milésima vez que era pra eu lavar e eu olhava toda dengosa e dizia;
- Mãe, posso assistir Malhação primeiro?
Eu era viciada, ainda na época em que Malhação se passava numa academia, quando Malandragem era tema de uma das personagens...
E ela me olhava com aquele sorriso sem graça, meio bravo, meio com dó e dizia que assim que terminasse se eu não levantasse a bunda do sofá ela me deixaria com a bunda doendo aí ela queria ver eu pedir pra assistir malhação e não conseguir sentar.
Eu ri demais, sozinha, mas ri.
Teve uma vez, era um sábado, dia de faxina em casa. Tudo que eu queria era dormir até tarde por ter ido dormir de madrugada e ela batendo na minha porta pra poder limpar meu quarto e ajudá-la.
Ouvia-se todo tipo de ameaças, vou queimar sua televisão, vou desligar o relógio de energia todas a noites, você vai ficar de castigo e não vai sair de casa por um mês, mas nenhuma delas me animou o bastante pra sair da cama.
Foi então que de repente senti algo gelado escorrendo no meu lençol, não podia ser xixi porque além de quente, ele viria de baixo. Quando tirei o edredom de cima da cabeça, descobri que minha mãe tinha me jogado uma caneca de água gelada.
Eu fiquei brava, sem razão mas fiquei. Afinal, era eu que teria de dormir depois no colchão molhado, humpf.
Sem contar as vezes que ela me fazia pular o muro, por além de chegar tarde, ter esquecido de levar a minha chave.
Lembranças, são tantas, boas e ruins, engraçadas, idiotas... Mas todas elas me trazem uma sensação boa de que a minha mãe, em todos os momentos, foi a melhor do mundo.

Que saudade é essa?

Parece até absurdo, mas essa semana não havia nem ao menos 5 minutos que eu tinha deixado a minha princesa no ponto de ônibus e uma saudade imensa e invadia o peito. Senti um desespero, um vazio, uma falta e uma enorme vontade de chorar.
Como se cada segundo longe, se tornasse uma eternidade, um tempo sem fim. Eu só queria voltar correndo pra tê-la de novo em meus braços, só queria abraçá-la e dizer que nunca mais teriámos que dizer "tchau".
Meu Deus, isso tem tomado conta de mim. Não me vejo em um mundo sem ela....
Nossa.... romantiquinho demais hauahuahauhaua
Mas é assim que tenho me sentido, coisa que eu não me lembro de ter sentido antes. Me lembro sim, de ter uma saudade grande, uma vontade de estar perto, mas nada parecido com o que sinto agora.
É como sempre digo: "é diferente de tudo que eu já vivi". Só que a cada dia me surpreendo mais, me conheço menos, só que também sinto mais, quero mais, sou feliz por demais.